Economia

Lançamento de estudo da Firjan aponta R$ 25 bilhões em investimentos e liderança do RJ no setor petroquímico

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A sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) sediou, na quarta-feira (4), o lançamento da 5ª edição do estudo “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro”, elaborado pela Firjan SENAI SESI. O evento reuniu lideranças industriais, autoridades, pesquisadores e representantes do setor financeiro para debater os rumos da cadeia produtiva fluminense.

Segundo as análises apresentadas, o estado do Rio reúne condições para liderar um novo ciclo de industrialização focado em fertilizantes e químicos de alto valor agregado. Os participantes reforçaram a necessidade de integração entre a iniciativa privada e o setor público para aumentar a competitividade nacional, com projeção de atração de R$ 25 bilhões em investimentos até 2030.

Presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano destacou que a entrada em operação do Rota 3, gasoduto da Petrobras construído para transporte de gás natural da Bacia de Santos, e do Complexo de Energias Boaventura, polo industrial da companhia em Itaboraí, são marcos fundamentais. Eles são essenciais para impulsionar o crescimento da indústria fluminense. “Em conjunto com a Refinaria de Duque de Caxias, o polo petroquímico e a rede de fornecedores, essa estrutura abre espaço para um novo ciclo de industrialização”, observou.

Ele também ressaltou o trabalho da federação para o desenvolvimento do estado. “Seguiremos apoiando a inovação, a qualificação de profissionais, a segurança e a produtividade. A indústria química e petroquímica avançada foi uma das nove novas fronteiras que identificamos em nosso estudo “Rio de Futuro: Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro”, disse.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), Isaac Plachta, o estado do Rio reúne condições para um desenvolvimento econômico muito maior do que o registrado atualmente, por contar com recursos naturais, como petróleo e gás natural; e infraestrutura, com capacidade de refino, portos, indústrias e universidades.

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“Precisamos transformar essas vantagens em desenvolvimento industrial; não podemos nos contentar em ser apenas grandes produtores de petróleo e gás, é imprescindível agregar valor e criar condições para transformar essas riquezas em produtos químicos, petroquímicos e fertilizantes, de forma competitiva”, ressaltou.

O subsecretário de Estado de Inovação do Rio de Janeiro, Maurício Guedes, elogiou a iniciativa da Firjan, sobretudo em função da dependência externa. “O Brasil importa 90% dos fertilizantes que consome, mas temos condições extraordinárias para desenvolver essa indústria aqui no estado, embora o preço do gás natural ainda seja pouco competitivo no país”, avaliou.

Maurício Guedes lembrou, ainda, que a indústria de fertilizantes passa por uma transformação global com o surgimento de grandes inovações, e falou sobre o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), que terá sede e o hub de escalonamento de tecnologias no Rio, dentro do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O gerente de Projetos de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Thiago Valejo, destacou que o estudo traz também um mapa destacando o potencial do estado com ativos e projetos, além de um painel dinâmico com números em destaque no olhar de mercado, como preços, empregos e dados da balança comercial. Valejo ressalta a característica do estado tanto pelas riquezas naturais quanto por sua localização estratégica.

“O Rio de Janeiro é um hub logístico, reunindo condições para agregar valor ao petróleo e ao gás natural produzidos no estado, abastecer o mercado nacional e viabilizar exportações”, complementou.

 

Debates apontam caminhos da indústria

O evento contou com dois painéis para debater os melhores caminhos para o impulsionamento da indústria fluminense, a partir dos dados do estudo. Para abordar o tema Petroquímica no Rio de Janeiro 2026, participaram do debate o vice-presidente global de Operações da Braskem, Raphael Franco de Campos; o diretor-executivo da Associação das Empresas de Campos Elíseos (Assecampe), Jorge Rezende Soares; o engenheiro de processos sênior da Nitriflex, Luis Carlos de Sousa; e a sócia da Veirano Advogados, Beatriz Paulo de Frontin. O membro do Conselho Empresarial Firjan Caxias e Região, Maurício Moreira, mediou o debate.

“O Rio tem gás, infraestrutura e conhecimento, mas como transformar tudo isso em competitividade de verdade?”, questionou o conselheiro da Firjan. O vice-presidente global de operações da Braskem defendeu a integração do refino com a petroquímica, movimento que vem acontecendo em todo o mundo.

Já a sócia da Veirano Advogados reforçou o discurso da segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Enquanto o diretor-executivo da Assecampe alertou que a melhoria da infraestrutura é urgente. E o representante da Nitriflex acredita que é fundamental que o país possua uma política industrial.

Do segundo painel, Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026, participaram o superintendente da Finep, Rodrigo Secioso; o diretor do Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Everaldo Zonta; e o diretor-técnico da Mottainai Brasil, Luiz Orlando da Conceição Junior. O moderador foi o superintendente de Novas Economias da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedes-RJ), Pedro Igor Veillard Farias.

“Essa transformação [da indústria de fertilizantes] depende de diversos atores e, por isso, considero especialmente interessante a composição deste painel de hoje”, afirmou superintendente de Novas Economias da Sedes-RJ, ao destacar a conexão entre academia, indústria e fomento.

O diretor do Instituto de Agronomia da UFRRJ, Everaldo Zonta, destacou que o Rio tem a vantagem competitiva de reunir diversos institutos de pesquisa. Já Rodrigo Secioso pontuou que investir em inovação é indispensável. Para o diretor técnico da Mottainai Brasil, a política para expansão da indústria nacional de fertilizantes é uma necessidade do país.


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