Projeto busca resgatar protagonismo do Rio de Janeiro no setor cafeeiro
Com o objetivo de devolver ao Rio de Janeiro o destaque histórico na cafeicultura, o projeto Volta Café — idealizado pelo empresário Ruy Barreto Filho — quer fortalecer a produção local, melhorar as condições dos produtores e gerar novos empregos no estado. Como primeiro grande marco da iniciativa, será inaugurado em novembro o Laboratório de Análises de Cafés Especiais de Varre-Sai, no Noroeste Fluminense.
Pioneiro no estado, o laboratório teve a garantia do envio de equipamentos após alinhamento entre o executivo do projeto, o governador em exercício Ricardo Couto e o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ricardo Augusto Rosa Mansur.
Segundo Ruy, a estrutura estava pronta para receber os equipamentos, mas permanecia sem utilização havia mais de um ano. A atuação do Volta Café, em conjunto com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), teria ajudado a destravar o processo.
“O laboratório é do Governo do Estado, mas ficou esquecido por mais de um ano. Bastou o Volta Café e a Pesagro informarem a situação ao governador e ao secretário para os equipamentos serem disponibilizados”, afirma Ruy Barreto Filho.
A nova estrutura deverá permitir análises técnicas dos cafés produzidos na região, contribuindo para a avaliação da qualidade dos grãos. O trabalho também poderá ajudar os agricultores a identificar características de seus produtos e buscar melhores condições de comercialização.
Café já foi um dos pilares da economia do Rio de Janeiro
A proposta do Volta Café é recuperar uma atividade que teve papel central na formação econômica do estado. Durante o século XIX, as fazendas de café do Vale do Paraíba Fluminense fizeram do Rio de Janeiro um dos principais polos produtores do país, com grande parte da produção destinada ao mercado internacional.
A importância econômica da cafeicultura foi tão grande que o ramo de café aparece até hoje na bandeira do estado do Rio de Janeiro, ao lado da cana-de-açúcar, representando duas das atividades que marcaram sua história.
Com o passar das décadas, porém, o protagonismo da produção cafeeira migrou para outros estados, especialmente Minas Gerais e Espírito Santo.
“O café era tão importante para o Rio de Janeiro que está presente na nossa bandeira. Com o tempo, esse destaque foi perdendo força”, lembra Ruy Barreto Filho.
A distância entre o Rio e os grandes produtores nacionais é expressiva. Segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de 2026 está estimada em 67,6 milhões de sacas, com Minas Gerais na liderança nacional.
Espírito Santo é exemplo para expansão da cafeicultura fluminense
Para o fundador do Volta Café, o Espírito Santo é uma referência de como o Rio de Janeiro poderia ampliar sua produção.
O empresário considera que os dois estados apresentam características geográficas e climáticas que permitem desenvolver a atividade em maior escala. A diferença está na estrutura da cadeia produtiva e no volume de café produzido.
“Os dois estados têm condições muito semelhantes, como dimensões, tipos de solo e clima. Mas eles retiram das plantações 19 milhões de sacas a cada ano. Não temos por que ficar tão atrás”, afirma Ruy.
A proposta é fortalecer a produção fluminense por meio de investimentos, apoio técnico e melhoria das condições de trabalho dos agricultores. O laboratório de Varre-Sai é uma das iniciativas previstas nesse processo.
A região Noroeste do Rio tem tradição no cultivo de café, e a análise da qualidade dos grãos pode contribuir para que produtores locais ampliem sua participação no mercado de cafés especiais.
Volta Café projeta expansão da produção e até 200 mil empregos
A ambição do empresário é que a cafeicultura fluminense volte a ocupar um espaço de destaque na economia estadual. Ruy Barreto Filho trabalha com a meta de dobrar a produção de café do Rio de Janeiro nos próximos cinco anos e alcançar quatro milhões de sacas em uma década.
Os objetivos são projeções do empreendedor e dependerão de investimentos, expansão das lavouras, produtividade e condições de mercado. Como referência, estimativas da Conab para 2026 apontam uma produção fluminense próxima de 423 mil sacas, abaixo do patamar de um milhão mencionado pelo empresário.
Além do aumento da produção, o fundador do Volta Café acredita que o crescimento do setor poderá gerar oportunidades de trabalho no interior do estado.
Segundo suas estimativas, a cadeia produtiva emprega hoje cerca de 50 mil pessoas, direta e indiretamente, mas teria potencial para chegar a 200 mil postos de trabalho.
“Hoje, o café gera apenas cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos, mas tem potencial para movimentar 200 mil vagas diretas e indiretas. Investir nessa cadeia produtiva é, também, um plano efetivo de Segurança Pública e distribuição de riqueza”, defende Ruy Barreto Filho.
Para o empresário, a recuperação da cafeicultura pode contribuir para movimentar a economia dos municípios produtores, criando oportunidades no campo e em atividades ligadas ao beneficiamento, transporte e comercialização do café.
A inauguração do Laboratório de Análises de Cafés Especiais de Varre-Sai, prevista para novembro, será uma das primeiras etapas dessa proposta de fortalecimento da produção de café no estado do Rio de Janeiro.
