Petrobras

Infraestrutura e potencial de revitalização mantêm Bacia de Campos no foco de investimentos

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A forte atuação da Petrobras nos leilões da Oferta Permanente da ANP, realizados nesta quarta-feira (7), segue repercutindo no mercado de óleo e gás. A estatal investiu mais de R$ 3 bilhões em blocos sob o regime de concessão na Bacia de Campos, além de arrematar o bloco de Azurita sob o modelo de partilha de produção.

Na avaliação de especialistas consultados pelo Petronotícias, o resultado reforça que a Bacia de Campos permanece como um ativo estratégico para a economia nacional e do Estado do Rio de Janeiro.

Entre os principais atrativos apontados pelos analistas estão a ampla infraestrutura já instalada na região, a oportunidade de revitalização de campos maduros e a presença de novas fronteiras reservatórias ainda a serem exploradas.

O consultor Carlos Mastrangelo, nome reconhecido pela indústria pelo papel pioneiro e fundamental que desempenhou na consolidação do uso de FPSOs em escala mundial, também avaliou positivamente o resultado do leilão e destacou o apetite da Petrobrás pela Bacia de Campos.

“Vi com muita satisfação o forte interesse da Petrobrás no pós-sal da Bacia de Campos no leilão de hoje. Para mim, esse resultado representa muito, porque foi justamente na Bacia de Campos que comecei a minha vida offshore”, declarou. Mastrangelo lembrou que, historicamente, a Bacia de Campos sempre foi conhecida como um verdadeiro laboratório em escala real, desenvolvendo tecnologia de ponta não apenas para o Brasil, mas para o mundo inteiro.

 

Representante da Petrobrás no leilão da ANP

“E agora, ao ver esses novos blocos arrematados em águas ainda mais profundas — indo além dos 3.000 metros — e com a Petrobrás avançando como operadora única, com 100% de participação, fica evidente a total tranquilidade e o domínio tecnológico que a companhia possui para seguir em frente, desbravando novas fronteiras nessa região”, ponderou.

Mastrangelo também fez uma leitura crítica do resultado da rodada sob o regime de partilha, que teve áreas do pré-sal sem ofertas. Para ele, o cenário pode indicar a necessidade de uma reavaliação do modelo regulatório desse regime da produção, especialmente para áreas menores ou marginais do pré-sal. Na avaliação do consultor, uma mudança nesse sentido poderia destravar o interesse das empresas e melhorar a economicidade de determinados projetos.

Já para o consultor do setor de óleo e gás Filipe Rizzo, a decisão da Petrobrás de continuar investindo na Bacia de Campos é fundamental justamente porque a região reúne ativos maduros e infraestrutura já instalada.

“A Petrobrás tomou a decisão de continuar investindo na Bacia de Campos. Isso é muito importante porque, apesar de termos muitos campos maduros, ainda existem faixas de pré-sal e reservatórios menores. Além disso, a infraestrutura já está instalada, o que significa que o custo de desenvolvimento será menor”, afirmou.

Na avaliação do especialista, esse movimento também tem importância estratégica diante do tempo necessário para o avanço de novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial. Enquanto novos projetos ainda demandam anos de desenvolvimento, Campos já conta com uma infraestrutura consolidada e uma cadeia produtiva instalada.

Rizzo também chama atenção para o potencial de revitalização dos campos maduros. Segundo ele, a Petrobrás entra em uma fase de utilização de plataformas menores para recuperar áreas já descobertas, mas que ainda possuem potencial econômico. Essa estratégia, na avaliação do consultor, pode prolongar a vida útil dos ativos e manter a atividade econômica nos municípios produtores.

“É importante ter uma política definida para isso, talvez até com redução proporcional de royalties, porque isso estende o período de aproveitamento econômico dos campos. Isso é bom para toda a região, para os municípios e para o Estado”, afirmou.

 

BACIA DE CAMPOS AINDA É IMPORTANTE PARA A ECONOMIA DO PAÍS

A gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, também avalia que o resultado do leilão demonstra que ainda existem oportunidades relevantes na Bacia de Campos.

“O resultado do leilão foi muito bom para a Bacia de Campos como um todo. Ele demonstra que ainda existem muitas oportunidades a serem desenvolvidas a partir dessa bacia e também evidencia o compromisso da Petrobrás com a região. Mas não apenas da Petrobrás: outras operadoras também participaram do leilão e arremataram blocos na Bacia de Campos, trazendo mais investimentos para essa região”, afirmou.

A executiva destaca ainda o efeito potencial sobre a cadeia produtiva. Os investimentos associados aos novos blocos não se limitam à etapa de exploração, mas podem se estender ao desenvolvimento da produção e, posteriormente, à manutenção das operações, criando demanda para fornecedores e diferentes segmentos industriais.

“A Bacia de Campos tem muita competência e ainda pode contribuir para a economia do Brasil e de toda a região do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. O resultado é fundamental para as indústrias, para a continuidade dos investimentos da cadeia produtiva e também para as cadeias de valor associadas ao desenvolvimento dessa produção”, disse Karine.

 

R$ 3 BILHÕES EM NOVOS BLOCOS EXPLORATÓRIOS

O grande destaque do resultado do leilão do regime de concessão da ANP ficou para o Setor SC-AUP1 da Bacia de Campos, onde a Petrobrás arrematou os oito blocos colocados em disputa: C-M-113, C-M-115, C-M-161, C-M-163, C-M-165, C-M-216, C-M-281 e C-M-283. Juntas, as áreas representam 9.295,76 km² e têm investimento mínimo previsto de R$ 1,323 bilhão na fase de exploração. O bônus de assinatura alcançou R$ 3,014 bilhões.

A Petrobrás também arrematou três blocos no Setor SC-AP1 — C-M-111, C-M-159 e C-M-214 — e outro no SC-AUP2, o C-M-352. As quatro áreas somaram R$ 23,91 milhões em bônus de assinatura e investimentos mínimos previstos de R$ 144,77 milhões na fase de exploração.

No total, considerando os três setores que receberam propostas, a Bacia de Campos teve 12 blocos arrematados entre os 28 colocados em disputa. O bônus de assinatura alcançou aproximadamente R$ 3,038 bilhões, enquanto os compromissos mínimos de investimento na fase de exploração chegam a cerca de R$ 1,468 bilhão.


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