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MODEC transforma pré-sal brasileiro em laboratório de descarbonização offshore

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A MODEC está ampliando seus investimentos em tecnologias voltadas à descarbonização de plataformas offshore e transformou o pré-sal brasileiro em um dos principais laboratórios para testar soluções inéditas de redução de emissões. As iniciativas da empresa abrangem o uso de inteligência artificial, captura de carbono, células a combustível e novos sistemas projetados para elevar a eficiência energética de seus FPSOs.

Entre as inovações em destaque está o Shape Aura, um software desenvolvido pela Shape Digital, spin-off da MODEC. A ferramenta combina modelos de engenharia, machine learning e inteligência artificial para otimizar a operação das plataformas em tempo real, atingindo uma redução de 3% a 5% nas emissões de gases de efeito estufa nos FPSOs onde já foi implantada. Paralelamente, a MODEC firmou parceria com a norueguesa Eld Energy para testar células a combustível de óxido sólido (SOFC). A tecnologia gera eletricidade sem combustão e promete cortar em até 50% as emissões em relação às turbinas a gás convencionais, tornando uma unidade da frota no pré-sal a primeira plataforma offshore do mundo a operar uma planta piloto com esse sistema.

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A companhia também prepara a instalação, em um FPSO em operação no Brasil, de um módulo piloto de captura de carbono utilizando a tecnologia CycloneCC, da Carbon Clean. O projeto prevê capturar emissões dos gases de pós-combustão, em mais uma iniciativa inédita para o segmento offshore.

Entre as soluções já em operação está o Smart Flare Analysis System, implantado no FPSO Almirante Barroso MV32 desde janeiro de 2025. Desenvolvido em parceria com a Shape Digital, o sistema utiliza mais de 450 sensores para monitorar automaticamente os eventos de flare, classificando-os em diferentes categorias e permitindo identificar suas causas com maior precisão. A expectativa é expandir a tecnologia para outras unidades e desenvolver modelos preditivos capazes de antecipar ocorrências com base em dados históricos.

O pacote de iniciativas da MODEC inclui ainda sistemas de recuperação de vapores dos tanques de carga (Vent Recovery), que podem reduzir em até 90% as emissões associadas a esse processo; geração de energia em ciclo combinado com turbinas a gás (GTCC), capaz de elevar em cerca de 30% a eficiência energética; sistema de flare fechado (Closed Flare); iluminação em LED; motores elétricos de alta eficiência e recuperação de gases dos tanques.

Outra tecnologia em fase de testes no pré-sal é o sistema de captação de água do mar em grandes profundidades (Deep Seawater Intake). Ao utilizar água entre 2 °C e 3 °C mais fria para o resfriamento dos equipamentos, o sistema reduz a demanda energética da plataforma e pode evitar a emissão de aproximadamente 500 toneladas de CO₂ equivalente por ano.

Para o diretor técnico da MODEC, Fernando Siqueira, a empresa tem optado por antecipar investimentos em inovação, mesmo antes de haver incentivos regulatórios ou econômicos específicos. “Não esperamos as condições ideais, do ponto de vista econômico ou regulatório, para avançar e ter um design sempre à frente do mercado. É uma pegada que veio para ficar“, afirmou. “Trabalhamos em todas as nossas condições, mesmo que ao nosso custo, para desenvolver soluções e manter a nossa competitividade“, concluiu.


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