Entrada da Âmbar Energia muda postura do governo sobre Angra 3
A entrada da Âmbar Energia, braço do grupo J&F, na sociedade de Angra 3 ao lado da Eletronuclear marcou uma mudança significativa na postura do Ministério da Fazenda em relação à conclusão da usina. A empresa é presidida por Marcelo Zanata e passou a integrar o projeto em um momento decisivo para o futuro da obra.
Até então, o Ministério da Fazenda adotava uma posição ambígua. Publicamente, demonstrava apoio à conclusão de Angra 3, mas nos bastidores atuava de forma contrária, questionando iniciativas e levantando entraves que freavam o avanço do projeto. A postura era vista por críticos como prejudicial ao desenvolvimento do setor nuclear brasileiro.
Com a chegada do novo sócio privado, o cenário começou a mudar. Passou a ganhar força a possibilidade de redução da tarifa da energia produzida pela usina para pouco mais de R$ 778,00 por megawatt-hora (MWh). No modelo inicialmente desenhado pelo BNDES, o valor previsto era de R$ 817,00 por MWh, custo que o Ministério da Fazenda alegava poder impactar negativamente a conta de luz dos consumidores no futuro.
Diante do novo contexto, o governo passou a analisar alternativas para viabilizar o projeto, como a revisão da taxa interna de retorno e o enquadramento da obra em linhas de crédito subsidiadas. Parte dessas mudanças, no entanto, depende da concordância do novo sócio privado da União na Eletronuclear, empresa responsável pela construção de Angra 3.
A expectativa no setor é de que a Âmbar Energia adote uma postura favorável à conclusão da usina. No fim de 2025, a J&F adquiriu, por R$ 535 milhões, a participação correspondente a 67,95% do total de ações da Eletronuclear, consolidando sua posição como sócia majoritária no empreendimento.
A União pode decidir hoje (9) optar por tornar a empresa 100% estatal novamente, mediante o pagamento dos mesmos R$ 535 milhões. A decisão será o gatilho para os próximos passos em relação ao futuro da usina. A decisão sobre a continuidade ou não de Angra 3 é de responsabilidade do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), colegiado integrado por 17 ministros. Ainda há um custo de quase R$ 9 bilhões de dívidas financeiras e com fornecedores. Outros R$ 12 bilhões seriam a perda de remuneração do capital dos acionistas que impacta o balanço da empresa.
O governo ainda precisaria fazer um aporte na Eletronuclear para dar a ela condições de honrar os demais custos de encerramento da usina. Segundo interlocutores, esse fator levantou um ponto de atenção no Tesouro Nacional, pois a medida levaria à necessidade de cortar outros gastos do Orçamento. Abandonar um projeto que já consumiu bilhões em recursos públicos, seria uma decisão pra lá de absurda, mas tudo pode acontecer. Mas quem assumiria esta decisão? Continuar Angra 3 significa que os custos serão arcados pela própria companhia, mediante a contratação de novos financiamentos, e depois embutidos nas tarifas cobradas do consumidor, com menor risco de impacto imediato para o Tesouro. Por isso, agora, a Fazenda está inclinada a concordar com a continuidade do projeto. Para isso, busca com outros ministérios saídas para tentar minimizar o impacto na conta de luz e dar fôlego financeiro à Eletronuclear, que enfrenta dificuldades financeiras. O governo pretende discutir com o sócio privado as soluções para tentar baratear a tarifa. Uma das possibilidades é tentar enquadrar o projeto nas linhas subsidiadas operados pelo BNDES.

A J&F vai ser dona do Brasil segundo os interesses de Lula e seu time de petistas!!!